segunda-feira, 8 de outubro de 2012


A volta
O mar, a areia macia e cálida. E sol. Aquele sol maravilhoso, quente, brilhante com o qual sonham os que não moram na praia.
Tinha viajado da montanha  para uma cidade praiana em férias. Era a primeira vez que fazia essa viagem. Só sabia da existência do mar por ouvir falar. Achou-o ainda mais fantástico do que as descrições que ouvira.
Férias acabam e tinha que voltar para a casinha acanhada na roça, ladeado por altas montanhas, que tinham também sua beleza, mas, que de tanto as ver, não as enxergava mais.
A praia ficaria para sempre em sua memória; o marinheiro bonitão, também. Tivera com ele um romance passageiro, desses de ferais de verão.
Com a volta, esperava-a a rotina diária _um tanto chata, mas que lhe propiciava o pão e alguma tranquilidade: saber o que fazer sem ter que para isso pensar e planejar cada passo  todos os dias.
Voltava para a vidinha acanhada, porém segura.
Com quase trinta anos, já, a esperança de se casar se fora. Dos moços da cidadezinha, nenhum se casaria com alguém da sua idade. Aliás, também nenhum lhe causava interesse. Todos, até o filho do fazendeiro mais rico da região, eram semianalfabetos.
Como seria viver casada com esse tipo de gente?
Ah!  Aquele marinheiro!Conhecia países, idiomas
Como seria bom que seu navio não tivesse partido!
Enfim, voltava.
E recebia na cara um choque de realidade.


segunda-feira, 19 de março de 2012

Pequena reflexão sobre nomes próprios

 Pequena reflexão sobre nomes próprios

O nome é a nossa identidade. E, acredito, o nome traz um fado.  Há pessoas cujo nome não combina com sua personalidade; parecem ter sido nomeadas por engano, algo assim como se a mãe estivesse esperando um filho varão e (isso antes do advento da ultra-sonografia)  lhe nascesse uma menina, e na surpresa escolhesse o nome de última hora.
Porque são escolhidos certos nomes?
Todo mundo conhece alguma mulher chamada “Aurora”. Alguém conhece alguma chamada “Tarde”, ou “Noite”?  Ou algum homem chamado “Ocaso”, ou “Alvorecer”?
E quanto aos nomes de flores?  Há mulheres por nome Rosa, Margarida, Hortênsia...
Algum homem chamado Cravo, Gladíolo, Girassol? Até agora a única flor que encontrei, nomeando um homem, foi Lírio.
Põem-se às vezes nomes de países em pessoas: já conheci uma Itália e uma Argentina com certeza, mas nenhuma Noruega, nem Finlândia. Muito menos Dinamarca. 
Homens por nome Portugal, Líbano, Japão, -  nem pensar.
Há algumas mulheres banhadas em metal: Argentina, Áurea. .– Férrea, não conheço... Nem Plúmbea.
Há homens gerúndios: Armando, Orlando.  Conheço até um feminino do gerúndio: Florinda...
Há as Marias. Disso e Daquilo: se há Maria da Conceição, porque não há Maria do Parto, e se há Maria do Céu, porque não Maria da Terra?
Conhecem-se mulheres de nome Natalina, e homens com o nome de Natal, Pascoal; sim, existem, mas não homens ou mulheres de nome Pentecostal, por exemplo.
 Será pelo fato de algumas festas religiosas serem mais cotadas que outras? E há, claro, aqueles pais que olham na “Folhinha” para dar ao filho o nome do santo do dia. Em virtude disso, conheci certa vez uma jovem, que por ter nascido em 1º de janeiro, foi batizada: Almerinda Circuncisão...(detalhe: ela suprimiu Circuncisão, não porque soubesse o significado, mas porque achava feio).
Mulheres às vezes se chamam Celeste, mas, jamais Agreste,  ou Terrestre
Há-as Marinas, mas não Fluviais.
Sobrenomes O sobrenome é algo mais ou menos recente na História da humanidade. Quando ainda não havia tanta gente, as pessoas eram identificadas pelo lugar de onde vinham, pela sua profissão, ou por alguma característica física. Por alguma razão alguns sobrenomes derivam de plantas ou acidentes geográficos, e aqui também são escolhidos uns, mas não outros:
Pereira, Limoeiro, Limeira, Nogueira, Figueira, Cajazeira, Castanheiro, Laranjeiras, (esse é o único que conheço no plural). Nunca ouvi dizer de alguém que tivesse por nome de família Abacaxizeiro, Aboboreira...
Engraçado. Acabei de notar que a maioria dos sobrenomes brasileiros provém de arvores frutíferas., As exceções ficam para Carvalho e Pinheiro.
Pedreira, Ribeiro, (riacho não é muito cotado), Montes, - por alguma razão, um monte não basta, tem que ser vários.- E, sim, não conheço ninguém cujo sobrenome seja Praia. Ou Brejo.
Estrada é bastante usado; mas não Viela.
Ou Beco.
Acho que estradas têm mais importância... Afinal, levam a algum lugar.
Adendo:
Quando mencionei os sobrenomes, não lembrei de outra curiosidade: Conheço pessoas cujo sobrenome é Pinto ou Galo. Frango, por alguma razão incógnita e não sabida, não é usado.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

nosso tempo

nosso tempo
Parece ser uma lei da Natureza: Tudo o que nasce, cresce e depois morre. —seja planta, gente ou civilizações, eras.
Como a Era de Peixes, que teve seu início com o advento do Cristo, está no fim, porque, (segundo os estudiosos cada era tem cerca de 2000 anos), estamos entrando na Era de Aquários. Vivemos, pois, um período de transição, no qual o que era está se desfazendo e o que virá ainda não se formou. É, pois, um período de indefinições. O Homem, tendo perdido o contato consigo mesmo, não sabe mais quem ele é. Os valores verdadeiros foram subvertidos: O exotérico sufocou o esotérico. Defrontamo_nos com o fim de algo conhecido e o desconhecido é aterrador para o ser humano.Não temos mais um chão firme para pisar, e não encontrando suas bases, o homem começa a buscar soluções mágicas, seja nas religiões ou nas ciências —abertas ou ocultas, não importa—o fato é que estamos buscando fora de nós o que só pode ser encontrado dentro. Estamos percorrendo o caminho oposto ao que deveríamos percorrer, porque só dentro de nós encontraremos a nós mesmos e então, sim, partir para fora, para através da conduta correta, tentar construir o mundo vindouro sobre bases sólidas.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Fragilidade

Um dos grandes defeitos do nosso mundo é a fragilidade da vontade.
Parece que as pessoas estão vacinadas contra todo o género de esforço, enquanto o prazer, a comodidade, os caprichos e a superficialidade constituem a lei.

Tudo nos leva a crer que a força de vontade _ a fortaleza _ cada vez escasseia mais.

Quando há um problema conjugal, o mais fácil é destruir o casamento. O divórcio apresenta_se como uma solução muito prática e atractiva. As crianças e os jovens fogem de qualquer esforço. O prazer sexual é agora a coisa mais importante para muitas pessoas.

Porquê tanta debilidade? Por que razão temos tanto medo do esforço?
Como é uma pessoa que vive a virtude da fortaleza?

Considera_se que uma pessoa é forte _ que vive a virtude da fortaleza _ quando, em situações que podem atentar contra a sua própria pessoa, resiste às influências prejudiciais, suporta todas as dificuldades que encontra e se entrega com valentia para ultrapassar os obstáculos e empreender coisas grandes.

A virtude da fortaleza torna a vontade férrea, de aço, inflexível perante as dificuldades, os desânimos e os problemas, pequenos ou grandes, da vida de todos os dias.
A vontade enche_se de valentia para acometer, para se lançar sobre o inimigo.
Resistir às dificuldades
Dizíamos que uma pessoa que vive esta virtude, em primeiro lugar, resiste às influências prejudiciais, suporta as dificuldades que encontra.

Esta é a primeira faceta da virtude: resistir às dificuldades, suportar as incomodidades. Quantas pessoas há que não são capazes de suportar nem o mais pequeno incómodo? Quantas haverá que não resistem às influências que lhes fazem dano? Por que sucede isto? Simplesmente porque não cultivaram em si mesmas a Fortaleza de espírito.

A vontade, enfraquecida, cede facilmente perante as dificuldades, por mais pequenas que sejam.

Quem não está habituado ao esforço dificilmente poderá resistir às dificuldades da vida.

Que nos propõe o mundo de hoje no que respeita às dificuldades, por exemplo, no casamento?

Basta vermos alguns filme ou telenovelas para observarmos que, perante as dificuldades próprias de um casamento, a solução mais fácil e cómoda é destrui_lo. Ir com outra pessoa. Esquecer e recusar o compromisso que se contraiu livremente.

Por que acontece isto? Pela debilidade da vontade, pela pobreza da vivência da fortaleza nas pessoas.

Para resistir ao embate das ondas é preciso ser forte. Para resistir às dores provocadas por uma doença é preciso ser forte. Para resistir ante as alterações de humor, de estado de ânimo, é preciso ser forte.

Quantas vezes voce se deixa levar pelo mau humor? Quantas vezes voce perde o controle pessoal por falta de fortaleza? De que maneira voce fere os outros por não saber ser suficientemente forte para dominar a si mesmo? Quantas vezes não teve a coragem de se responsabilizar pelas consequências das tuas decisões? Quantas...?

A virtude da fortaleza no seu aspecto de resistir não se dá gratuitamente. É necessário ir formando essa virtude, dia após dia, de preferência desde pequenos.

Começa hoje mesmo, dominando_te em pequenas coisas que exijam um esforço: levantar imediatamente da cama, arrumar bem as tuas coisas, privar_te de algum gosto superficial, ser paciente com os teus filhos, dar gosto ao teu cônjuge, não deixar as coisas fora do seu lugar.

Enfim... um sem número de coisas pequenas que hão_de construir em ti, pouco a pouco, a virtude da fortaleza, como sucede com aquele pedreiro que, tijolo a tijolo, constrói uma bela casa.

Cansaços, esforços e constância darão como fruto a vivência da virtude. Recordemos que, humanamente, a pessoa que quer ser madura, e cumprir o seu fim natural de crescer como tal, tem, necessariamente, de ser dona de si mesma: dona das suas decisões, senhora das suas inclinações e instintos.

A criança procura sempre satisfazer os seus caprichos porque ainda não formou a virtude da fortaleza.
Mas... um adulto? Um adulto pode ser escravo da sua preguiça, das suas iras, dos seus maus humores? Se não possuir uma fortaleza pessoal que resista a estas dificuldades, nunca chegará a ser verdadeiramente adulto.

Resistir: o grande desafio do homem perante as dificuldades. Dificuldades internas, que lhe vêm a partir de dentro devido ao egoísmo, por se amar a si mesmo. Dificuldades externas, que a vida nos apresenta todos os dias: encontrar o sustento, conservar aquilo que se tem, estudar, melhorar...

Se quiser que os teus filhos triunfem na vida, que permaneçam sempre fiéis a que resistam às dificuldades das suas próprias vidas, ajuda_os a exercitarem_se diariamente na formação da virtude da fortaleza na sua primeira forma: RESISTIR.

Atacar os obstáculos

Muitas vezes pensamos que a fortaleza se limita a suportar as dificuldades que se nos apresentam. No entanto, ela é importante para nos entregarmos com valentia e ultrapassarmos os obstáculos que nos impedem o caminho, lançando_nos a ações e empreendimentos grandiosos.

A preguiça... é necessário vencê_la com esforço, com entusiasmo, com decisão. Conseguir uma coisa melhor para a casa, sem dúvida que custa esforço. Apenas a pessoa forte será capaz de o alcançar. O esforço é a sua medida. Não chega suportar as dificuldades: é preciso atacar com decisão e valentia essas contrariedades. Quantas horas e horas de esforço são precisas para ensinar alguma coisa aos filhos? Quanta paciência é necessária para construir essa casa em pedra? Quantos anos é preciso dedicar para concluir os estudos? A pessoa forte, aquela que sabe acometer essas dificuldades, será vitorioso. Aquele que se decidir a remar na sua lancha para atravessar o mar precisará de muita força e de muita constância para chegar a um porto seguro.
Para nos formarmos na fortaleza, é preciso que nos esforcemos com valentia. Para conseguir que a tua família seja uma autêntica família, não basta resistir às dificuldades: terá de enfrentar com elas, agarrar o touro pelos cornos e por_te a trabalhar para que o teu lar melhore todos os dias.

Quem se esforçar formará em si mesmo a virtude da fortaleza.

As grandes batalhas ganham_se lutando. Aquele que se sentasse a contemplar nunca poderia vencer. Aquele que quiser ser melhor terá de se esforçar para o ser.

O jovem que quiser obter uma boa nota na escola terá de se esforçar. O marido que quiser amar a esposa terá de se esforçar para lhe dar o melhor. A esposa que quiser amar o marido procurará, da mesma forma, tudo aquilo que o torne feliz.
Quem quiser educar os seus filhos precisará de grandes e constantes esforços, para que eles, ao longo dos anos, se formem como verdadeiras pessoas,


Cuida de ti mesmo quando vierem a impaciência e o mau humor. Vence_te!
Esforça_te.

Cuida da tua fé, Sê forte. Resiste. Não te deixes vencer.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Promessas

Promessas
No deveramos jamais fazer promessas, exceto as cumpríveis.
Podemos prometer tentar cumprir metas. E só.
Homens e mulheres no calor da paixão, prometem fazer o outro (a) o ser mais feliz do mundo.
1) Existe, por acaso, medidor de felicidade?
2) Esse alguém percorreria o mundo todo para comprovar o tamanho da felicidade do seu companheiro (a)?
O outro aspecto que ninguém faz ninguém feliz. A felicidade algo pessoal e não doável.
O que podemos propiciar ao outro são gentilezas, mimos, presentes, que lhe darão contentamento, mas não felicidade.
Quando contentamos a algum, nos sentimos felizes, porque é na doação de si mesmo que o ser humano encontra a felicidade, portanto a única pessoa a quem alguém pode proporcionar felicidade é a si mesmo.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Seja um idiota

Seja um idiota

Arnaldo Jabor

A idiotice é vital para a felicidade. Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz
A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.
No dia_a_dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse.
Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram_se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. [~;
Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?
Ha ha ha ha ha ha ha ha!
Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar?
Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer?
Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim.
Brincar é legal. Entendeu?
Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva.
Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.
Ser adulto não é perder os prazeres da vida _ e esse é o único "não" realmente aceitável. Teste a teoria.
Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.
Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...
Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios". "Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche".

O que fazer para que as metas saiam do papel

O que fazer para que as metas saiam do papel

Trace metas simples, de curto prazo, para evitar frustração se não atingi_las. Tente escolher ate 3 metas e inclua outras so após cumprir as primeiras

Tenha os objetivos claros para cada uma das áreas da vida (saúde, profissional, finanças, social, relacionamentos afetivos, emocional) garantindo equilíbrio entre elas

Estabeleça prioridades, por ordem de importância, definindo o que será posto de lado para que conquiste o que deseja

Avalie se dispõe de recursos para atingir os objetivos

Diga não e estabeleça limites para não ficar sobrecarregado

Saiba diferenciar o que é importante do que é urgente

Coloque os objetivos no papel em lugares visíveis como a geladeira ou a agenda

Use agenda ou programa de computador para planejar e organizar o dia_a_dia de forma a incluir a meta na rotina

Faça acompanhamentos semanais entre o planejado e o realizado. Se não estiver dando certo reveja o objetivo, o prazo e a estratégia usada

Não queira ser bom em tudo nem fazer tudo perfeito

Não faça tudo ao mesmo tempo sem foco ou prioridades. É preciso traçar planos que sejam compatíveis e nao tragam conflito de agenda ou finanças

Controle a ansiedade, crie oportunidades e soluções em vez de se fazer de vitima

Mantenha_se motivado

Não confunda desejos e sonhos com projetos fazendo planos que não poderá alcançar

Não meça o seu sucesso pelo sucesso dos outros

(Deconheço a autoria)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Resgatar valores

Antes da chegada do europeu, não havia ladrões entre os índios, porque, sendo os bens de propriedade comum não há porque querer tirar nada de ninguém. Porque não voltar ao modelo de sociedade indígena, no qual as mães cuidam de seus filhos até uma certa idade e depois enviam_nos, os meninos para a casa dos homens e as meninas para a casa das mulheres? Para que cada um aprenda os valores próprios de sua condição?
Nada contra a mulher trabalhar fora, só penso que isso deveria dar_se de outra maneira. Aliás, penso que a mulher só deveria trabalhar fora depois que seu filho tivesse pelo menos cinco anos, porque até essa idade ela já lhe teria transmitido os conceitos básicos sobre os valores éticos e morais, noções de ordem e disciplina e de convivência em sociedade. E mesmo assim, precisaria valer a pena. Isto é:se a mulher for uma profissional de carreira, como uma cientista, por exemplo. Qual é a vantagem de trabalhar na lojinha da esquina, ganhando 400,00 se tem que pagar 350,00 para a escolinha da criança? Escolinhas nem sempre adequada para a transmissão desses mesmos valores éticos e morais que a mãe deixou de transmitir quando abdicou da educação da criança.
Ninguém em sã consciência negaria que a má distribuição de renda causa problemas sociais, mas que não venham os "filósofos" e os "sociólogos" tentarem convencer_me de que é isso que leva ao roubo e ao crime. Nenhuma pessoa que tenha boa formação moral e religiosa irá jamais para o mundo do crime. E questiono também a tese de que alguém rouba só porque não tem seja lá o que for, pois se assim fosse, não veríamos pessoas riquíssimas, como é o caso de alguns políticos, desviando o dinheiro público.
Sabemos que o homem é um criador de necessidades, e que, portanto, nunca estaria satisfeito com o que tem Um carro não lhe basta. E se tiver dois, precisará de uma iate, e assim por diante.
Se tentarmos resgatar os valores importantes, não consumistas. Se percebermos que o importante e o Ser e não o Ter e ensinarmos isso às nossas crianças, teremos, não amanhã, mas dentro de um prazo razoável, uma sociedade melhor do que a que temos hoje.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Limites

Limites
Quando jovens, e, eventualmente, até mesmo depois de velhos, temos a pretensão de podermos nos insurgir contra os limites. Brigamos, geralmente com pai e mãe. Porque sabemos que podemos. Façamos nós o que fizermos, eles sempre estarão lá.
Se meditarmos um pouco sobre a questão dos limites, ficaremos um tantinho decepcionados conosco, porque perceberemos a falsidade da luta. Lutamos quando há a certeza da vitória; brigamos contra pais e professores, mas não contra patrões. Dificilmente alguém contesta o farol vermelho. E o nosso corpo? Ele nos obriga a, por exemplo, nos alimentarmos periodicamente, e, em caso de rebeldia de nossa parte, ele mostra que pode mais e nos mata. Não podemos andar, a não ser pondo um pé de cada vez adiante do outro. A continuar com esta lista, não acabarei nunca. . E ninguém, absolutamente ninguém, luta contra sua própria pele, que é, sem sombra de dúvida o nosso maior limite. Imaginem de que seríamos capazes se não tivéssemos um corpo a nos limitar. Deus seria pouco.No entanto, continuamos a ter a ilusão de que nos rebelamos. Assim é o Homem.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mundo moderno

Mundo moderno
Acho que ingressei na escola de filosofia para tentar viver no único mundo de que dispomos: O Mundo Moderno, no qual tudo tem que ser: politicamente correto, ecologicamente correto, esteticamente correto. Já não suporto mais tanta correição.
Será que poderíamos ser um pouco feios, um pouco gordos, um pouco tortos ou um pouco vesgos?
Não. Não podemos! Temos que ser lindos mesmo que isso nos custe a saúde.
Aí vem a parte ecológica: Há uma questão a ser resolvida: Se usarmos copos descartáveis, aumentaremos a quantidade de lixo; se usarmos copos de vidro, teremos que lavá_los e gastaremos água. Talvez a solução seja beber água na concha da mão.(ou não beber..., isso seria uma medida louvável: economizaríamos água para os netos que não sabemos se teremos).
Para ser politicamente correto, há uma porção de coisas que não podemos falar: Não podemos dizer de ninguém que é baixo, alto, gordo, magro, negro, branco, vesgo, perneta, mesmo que o seja. É claro que existe a maneira pejorativa de usar tais termos. Mas, há que se ter muito, mas muito cuidado mesmo porque o outro pode interpretar da maneira que quiser.
A outra coisa difícil é fazer compras: antigamente havia pão; hoje há pão: de centeio, de trigo integral, de cevada, de milho, de aveia, de fibras, de castanhas, de passas, de batatas, e sei eu que quantas qualidades mais. Torna_se difícil encontrar alguma coisa sem aditivos, sejam eles de origem mineral, vegetal, animal, ou sintética. Até a boa e velha alface já mudou de cor.
Antigamente, no domingo à tarde, depois da macarronada com frango assado e 1(um) copo de refrigerante, íamos visitar alguma velha tia.
A velha tia não recebe mais aos domingos, salvo combinação anterior por telefone ou email.
A missa de domingo não tem mais o caráter sagrado.
Nada mais tem o caráter sagrado.
Então, para tentar salvar em mim, o que resta de humano, ingressei no curso de filosofia...

Lazer

Lazer
Nesta era altamente tecnologizada em que vivemos, esquecemo_nos das coisas simples.
Se perguntarmos a qualquer pessoa sobre diversão ela dirá, se for rica, muito rica que a vida é um tédio, visto não haver diversões mais divertidas que o dinheiro possa comprar; se for pobre dirá que não se diverte por que não tem dinheiro e que o governo precisa criar espaços de lazer para os jovens carentes, etc. Quanto dinheiro é necessário para jogar uma pelada?@
Ou para arrastar os móveis e fazer um baile? Ah! Não! Para dançar é preciso ir à danceteria da moda, de preferência a mais badalada.
E as crianças? Antes do advento dos brinquedos auto_brincantes (os pais teriam que comprar um a cada semana, pois a indústria fabrica_os aos montes e há sempre um novo brinquedo no mercado), o menino cavalgava um pau de vassoura e não me consta que haja mais felicidade hoje que ontem.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A ARTE DE VIVER BEM

A ARTE DE VIVER BEM
Içami Tiba
 
 
Não exija dos outros o que eles não podem lhe dar,
mas cobre de cada um sua responsabilidade.
Não deixe de usufruir o prazer,
desde que não faça mal a ninguém.
Não pegue mais do que precisa,
mas lute por seus direitos.
Não olhe as pessoas só com seus olhos,
mas olhe-se também com os olhos delas.
Não fique ensinando sempre,
você pode aprender muito mais.
Não desanime perante o fracasso,
supere-se transformando-o em aprendizado.
Não se aproveite de quem se esforça tanto,
ele pode estar fazendo o que você deixou de fazer.
Não estrague um programa diferente com seu mau humor,
descubra a alegria da novidade.
Não deixe a vida se esvair pela torneira,
pode faltar aos outros...
O amor pode absorver muitos sofrimentos,
menos a falta de respeito por si mesmo!
Se você quer o melhor das pessoas,
dê o máximo de si,
já que a vida lhe deu tanto.
Enfim, agradeça sempre,
pois a gratidão abre as portas do coração.


Desiderata

Desiderata
Prossiga placidamente entre o barulho e a pressa, lembrando-se da paz que pode haver no silêncio.
Tanto quanto possível esteja em bons termos com todas as pessoas.. Fala a tua verdade quieta e claramente, mas ouve aos outros, mesmo os monótonos e os ignorantes... elas também têm a sua história. Evite as pessoas que falam alto e que são agressivas, pois elas são vexame para o espírito.
Se você se comparar a outros, pode se tornar vão e amargo, pois sempre haverá pessoas maiores e menores do que você.
Desfrute de suas conquistas bem como de seus planos.
Mantém-te interessado em tua carreira por humilde que seja
Pois esta é a verdadeira posse na mudança do destino. Exerce com precaução os teus negócios, mas não deixe que isto te cegue para a virtude
Muitas pessoas lutam por altos ideais e em toda parte a vida está cheia de heroísmo. Sê tu mesmo. Especialmente não desdenhes a afeição, nem seja cínico a respeito do amor, pois, face à avidez e o desencanto, é tão perene como a grama.
Acata respeitosamente o conselho dos anos graciosamente capitulando os bens da juventude; treina a força do espírito par protegê-lo em desgraça repentina, mas não te deixes levar pela imaginação.
Muitos medos advêm da fadiga e da solidão. Atrás de uma disciplina total, sê gentil contigo mesmo.
Tu és filho do Universo não menos do que as árvores e as estrelas.
Tens o direito de estar aqui, e quer seja claro ou não para ti, o Universo prossegue a sua marcha conforme tem que ser.
Portanto, esteja em paz com Deus o que quer que O concebas ser.
E quaisquer que sejam as tuas aspirações e trabalho na confusão barulhenta da vida, mentem a paz na tua alma.
Com toda a sua vergonha, labutas e sonho partidos, ainda é um mundo maravilhoso. Sê cuidadoso. Luta pra ser feliz.
 
(Encontrado na Igreja Velha de São Paulo, em Baltimore, no ano de 1692)

terça-feira, 26 de abril de 2011

Soneto available

 
 
 
 
Soneto available
Agora o português se expressa assim:
Furgão é" van", adolescente é ‘teen",
Pleiofe, teste drive, fastifude
A gang, o drogadito, o drime time,
É nice, é uma overdose, é verigude.
Ninguém consegue mais falar direito.
"Eu vou estar fazendo" é o que se diz
Um dia, a idéia tem, feliz,
De traduzir "straight" por "estreito"
Até que um dicionário nos ajude;
até que a poesia arrume e rime
e que um brazilianista entenda e estude.
Portanto, jovem, faz favor de,enfim,
"disponibilizar" teu pé pra mim.
 
Glauco Matoso

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Fitness


Fitness

Persegue-se, hoje, a “qualidade de vida” com um empenho tal, porque a mídia nos diz que devemos fazê-lo, como se não fossemos morrer jamais. E para sermos lindos e bem-sucedidos na vida, temos que ter a estatura certa, à qual, evidentemente, deve corresponder o peso exato;  a cor de pele; olhos e cabelos também devem adequar-se umas às outras.Para conseguir tudo isso, necessita-se tomar hormônios e vitaminas, fazer exercícios físicos (caminhar, malhar, etc); fazer rigorosos regimes alimentares, cirurgia plástica, etc, etc. Caso não façamos todas essas coisas, para nos adequarmos ao padrão estético imposto pelos modernos conceitos de saúde e beleza, seremos excluídos da sociedade.
Além de lindos, temos obrigatoriamente, que ser felizes. E a qualquer preço. Não mais nos são exigidos certos “sacrifícios”, tais como abnegação, paciência, tolerância, fidelidade.... Tudo o que há quarenta anos era considerado virtude, hoje é considerado “careta”. A mídia nos diz que, em nome de nossa individualidade, só devemos nos preocupar conosco mesmos, E é claro, ficamos enfurecidos quando o outro não se incomoda conosco. Seguindo nesse passo, seremos, no futuro, como estatuetas de bisquí, lindas, perfeitas... e ocas¨. É primordial que sejamos ocos, para que os departamentos de propaganda disponham de espaço suficiente para rechear com o que quiserem, já que sua função é nos transformar em consumidores compulsivos, que comprem coisas, necessitemos delas ou não, para que haja recursos financeiros suficientes para fomentar a pesquisa cientifica na direção de afastar a dor e a velhice, e também os inconvenientes da gravidez e do parto, produzindo pessoas em laboratório. Penso que isso não demorará muito, afinal, a clonagem de animais. a inseminação artificial e a fertilização “in vitro”, já são práticas comuns hoje.
A humanidade (!?) caminha em largos passos em direção ao “Admirável Mundo Novo” (refiro-me ao romance, escrito por Aldous Huxley na década de trinta, e sujiro a leitura desse livro a quem ainda não leu, e uma releitura àqueles que já leram.

“Oh! Wonder!
How many goodly creatures are there here!
How beauteous mankind is!
Oh! New brave world,
That has such people in it”

             (A Tempestade, de W. Shakeaspeare)


domingo, 17 de abril de 2011

Da perversidade do Mercado

Da perversidade do Mercado

O mercado tem um aspecto extremamente perverso, e além de perverso desproporcional. Compra-se algo cujo preço varia entre, suponhamos, R$10,00 e R$60,00. Se fosse proporcional o de dez reais deveria durar um sexto do tempo que dura o de sessenta. Mas não é o que acontece. O de sessenta pode durar três anos enquanto que o de dez dura dois meses. Em assim sendo, quem tem menos dinheiro gasta mais do que quem tem mais.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Bem vinda

Bem vinda

O casal aguardava com tanta ansiedade um filho, que quando nasceu-lhes a menina,chamaram-na Benvinda. À medida que crescia, acentuavam-se-lhe a beleza e a graça. Desde muito nova comportava-se como uma mocinha:educada, gentil, prestativa. O único problema era a escola. Benvinda  parecia ter algo desencaixado em sua linda cabeça. Não aprendia. Castigo não lhe davam. –Como castigar uma criança tão boa?-
Professores particulares, um após outro,  desistiram. Tornou-se, depois de moça, a mais bela analfabeta que já aparecera por aquelas paragens. Seus pais davam festas, na tentativa de arranjar-lhe um casamento.
Benvida recebia as homenagens como um jardim recebe os raios de sol. Tudo aquilo lhe parecia muito natural; criada com muito zelo pelos pais, pouco sabia do mundo e apesar de encantadora e do vultoso dote oferecido pelos pais, custou muito a aparecer um candidato a noivo. Um belo dia apareceu na cidade um jovem forasteiro bem apessoado, bem falante, que não se importou com o fato de Benvinda ser analfabeta
.Tudo arranjado e combinado, casaram-se numa bela tarde de junho. Da festa, fala-se até hoje. Pouco tempo depois os pais de Benvinda morreram em um acidente e ela tornou-se uma mulher riquíssima. Alcides,-assim se chamava o marido, finalmente mostrou a que veio. Aproveitando-se da ingenuidade e do analfabetismo  da esposa. Sumiu no mundo levando tudo o que ela possuía..
Benvinda foi falar com a professora na escola local:
“Agora eu vou aprender. E vou cursar a Faculdade de direito. Devo isso a mim mesma”.


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Ganhos clandestinos

Ganhos clandestinos

Pelo andar notava-se que era um marinheiro.Aproximou-se da moça que caminhava sozinha pela orla da praia. Ela assustou-se, pois tinha o olhar perdido nas ondas e não notou a aproximação o rapaz.
Galanteador, dirigiu-lhe desta forma a palavra:
Onde estarão os homens desta cidade, que permitem que uma moça tão  bonita passeie sozinha?
A jovem miou-o de alto a baixo sem responder. Estava de mau humor. Brigara com a mãe, como sempre.Aquilo tinha que ter um fim. Mas, qual?
Tinha quase trinta anos. Ainda não se casara.Também não trabalhava para ganhar a sua independência. E o pai fora bem claro:
Enquanto estiver vivendo debaixo do meu teto e às minhas expensas, tem que respeitar as regras da casa: se sua mãe diz que tem que lavar a louça antes de  sair pra passear,  tem que lavar. E pronto!
Gislaine -era o seu nome- sonhava ainda encontrar um príncipe que a levaria a morar num castelo, n qual haveria criadagem suficiente até para lher dar comida na boca. Detestava  o bairro onde morava, a casa  humilde, as roupas simples  que os parcos recursos do pai lhe permitiam comprar. Não quis estudar. Achava que era muito sacrifício. Também não quis aprender o ofício de costureira que a mãe tentou lhe ensinar. Cozinhar tão pouco queria aprender. Seus sonhos eram, afinal, tão vazios quanto ela própria.
O marinheiro insistiu:
É tão orgulhosa que não responde a um cumprimento?
Desculpe! Respondeu. É que estava distraída...
—Além de linda tem uma bela voz!.
Bondade sua, respondeu um pouco encabulada.
Bondade, coisa nenhuma. , estou dizendo a verdade, completou o marinheiro, fazendo uma mesura.
O sujeito era um belo tipo, com sotaque estrangeiro.”Esse sujeito, pensou Gislaine, mas pode ser uma ponte”
O marinheiro, escolado por tantos portos que já visitara, por sua vez, pensava:
“Ela tem, de fato um belo rosto. E vê-se de longe que é simplória. E ambiciosa. É perfeita.
Sirvo em um navio americano. Se você quiser, posso levá-la para os Estados Unidos. Com esse rosto e essa voz  aposto que em pouco tempo alcançará o estrelato.
Notou o brilho de cobiça nos olhos da mulher.
“Pronto, pensou, mais uma”