quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O nosso tempo

  Como a Era de Peixes, que teve seu início com o advento do Cristo, está no fim, porque, (segundo os estudiosos cada era tem cerca de 2000 anos), estamos entrando na Era de Aquários. Vivemos, pois, um período de transição, no qual o que era está se desfazendo e o que virá ainda não se formou. É, pois, um período de indefinições. O Homem, tendo perdido o contato consigo mesmo, não sabe mais quem ele é. Os valores verdadeiros foram subvertidos: O exotérico sufocou o esotérico. Defrontamo-nos com o fim de algo conhecido e o  desconhecido é aterrador para o ser humano.Não temos mais um chão firme para pisar, e não encontrando suas bases, o homem começa a buscar soluções mágicas, seja nas religiões ou nas ciências abertas ou ocultas, não importa—o fato é que estamos buscando fora de nós o que só pode ser encontrado dentro. Estamos percorrendo o caminho oposto ao que deveríamos percorrer, porque só dentro de nós encontraremos a nós mesmos e então, sim, partir para fora, para através da conduta correta, tentar construir o mundo vindouro sobre bases sólidas.

Os meses do ano

Os meses do ano

Janeiro era dedicado a Janus, deus do principio e do fim. Era representado tendo duas faces opostas.
Fevereiro era dedicado a Februa, deusa das purificações.
Março, a Marte, o deus da guerra.
Abril não era dedicado a nenhuma divindade. Como nos meses do hemisfério norte, abril é o começo da primavera e as flores se abrem, o nome do mês deriva da expressão “omnia aperit”, que significa “Abre tudo”
Junho era dedicado a Juno (não me lembro qual era a atribuição dessa deusa, parece que era protetora dos lares e do casamento; seria a versão romana de Hera, a ciumenta esposa de Zeus).
Maio era dedicado a  deusa Maia.
Os meses de Julho e agosto ainda não existiam. Foram criados em homenagem a dois dos imperadores romanos: Julio e Augusto. Conta-se que o mês de agosto deveria ter trinta dias, mas os romanos, com receio de que o imperador Augusto se melindrasse se o mês dedicado a ele tivesse um dia a menos do que o mês dedicado a Julio, “roubaram” um dia a mais do mês de fevereiro.
Os meses de setembro, outubro, novembro e dezembro eram apenas o sétimo, o oitavo, o nono e o décimo  mês do ano.

Linguajares modernos

Recebi um texto primoroso falando sobre os modismos na Língua Portuguesa. Ou no que resta dela.
O texto fala sobre: disponibilizar, inicializar, viabilizar e outros tantos que, de um tempo para cá invadem o idioma. È do mesmo autor de “O futuro do Gerúndio”.
Há mais! Noto que ninguém põe mais nada em lugar nenhum. Todo mundo coloca. Há também os plurais de substantivos cujo sentido já é plural: materiais, tecnologias. Penso mesmo que Materiais e tecnologias juntos devem produzir boas parafernálias, para se poder estar inicializando alguma coisa para colocar em algum lugar. Lugar!? NÃO! Local. Lugares também não existem mais. Aliás, falando em existir, apreciaria muito se algum professor de português explicasse aos repórteres que haver e existir não são perfeitamente sinônimos..E não qualquer professor, já que ouvi de um este primor ”as pessoas devem conhecer o local onde estão localizadas”. Onde moram devem ser muito vulgar...
Repórteres de rádio e televisão são especialistas em criar modismos. Não sei se o idioma não é bastante bom para suas altas capacidades. O ferido não é medicado no hospital. Ele é medicado ao hospital. Quando não junto ao hospital.

Sobre a imortalidade



Parece que consta do texto bíblico, que Deus, depois de Matusalém, que foi o homem que viveu durante o maior número de anos, teria determinado para a existência humana um certo limite de tempo, pois “não dividiria com o homem” a imortalidade.
Será que foi uma boa idéia? Penso que sim.
Lembro-me de uma amiga já idosa confidenciar-me que já estava na hora de partir, pois já nada mais encontrava no mundo que lhe dissesse respeito.Novos usos e costumes pareciam-lhe muito estranhos. A comunicação começa a se tornar difícil. Passamos a não entender e a não sermos entendidos. Por ter eu já vivido um bom número de anos e a cada ano achando que a humanidade escolhe cada vez de maneira menos criteriosa os seus caminhos é que faço a pergunta acima. Surpreendi-me a sentir compaixão por Deus. Ele, em sua solidão cósmica, não tem ninguém com quem dividir o enorme peso que representa a Imortalidade. Ver, de seu posto (que se convencionou ser o Céu), o Homem, século após século, acelerando os passos mais e mais em direção – a quê?

Imagem e semelhança

Imagem e semelhança

Aprendemos que fomos criados à imagem e semelhança de Deus.

Só hoje percebi quão grande é a idéia.

Não somos imagem e semelhança de um Deus antropomorfizado. Um Deus com cabeça, tronca e membros, criado pelo homem à sua imagem e semelhança, para facilitar a identificação e a compreensão.
Trata-se, outrossim, de imagem e semelhança de espírito. Nosso corpo, esse mesmo que emprestamos a Deus, é apenas invólucro. O que conta é a essência.
Ser capaz de criar e ser capaz de compaixão: eis a semelhança!


Olga

Fitness


Fitness

Persegue-se, hoje, a “qualidade de vida” com um empenho tal, porque a mídia nos diz que devemos fazê-lo, como se não fossemos morrer jamais. E para sermos lindos e bem-sucedidos na vida, temos que ter a estatura certa, à qual, evidentemente, deve corresponder o peso exato;  a cor de pele; olhos e cabelos também devem adequar-se umas às outras.Para conseguir tudo isso, necessita-se tomar hormônios e vitaminas, fazer exercícios físicos (caminhar, malhar, etc); fazer rigorosos regimes alimentares, cirurgia plástica, etc, etc. Caso não façamos todas essas coisas, para nos adequarmos ao padrão estético imposto pelos modernos conceitos de saúde e beleza, seremos excluídos da sociedade.
Além de lindos, temos obrigatoriamente, que ser felizes. E a qualquer preço. Não mais nos são exigidos certos “sacrifícios”, tais como abnegação, paciência, tolerância, fidelidade.... Tudo o que há quarenta anos era considerado virtude, hoje é considerado “careta”. A mídia nos diz que, em nome de nossa individualidade, só devemos nos preocupar conosco mesmos, E é claro, ficamos enfurecidos quando o outro não se incomoda conosco. Seguindo nesse passo, seremos, no futuro, como estatuetas de bisquí, lindas, perfeitas... e ocas¨. É primordial que sejamos ocos, para que os departamentos de propaganda disponham de espaço suficiente para rechear com o que quiserem, já que sua função é nos transformar em consumidores compulsivos, que comprem coisas, necessitemos delas ou não, para que haja recursos financeiros suficientes para fomentar a pesquisa cientifica na direção de afastar a dor e a velhice, e também os inconvenientes da gravidez e do parto, produzindo pessoas em laboratório. Penso que isso não demorará muito, afinal, a clonagem de animais. a inseminação artificial e a fertilização “in vitro”, já são práticas comuns hoje.
A humanidade (!?) caminha em largos passos em direção ao “Admirável Mundo Novo” (refiro-me ao romance, escrito por Aldous Huxley na década de trinta, e sujiro a leitura desse livro a quem ainda não leu, e uma releitura àqueles que já leram.

“Oh! Wonder!
How many goodly creatures are there here!
How beauteous mankind is!
Oh! New brave world,
That has such people in it”

             (A Tempestade, de W. Shakeaspeare)


Cremes, sabonetes, xampus

Cremes, sabonetes, xampus

Cremes, sabonetes, xampus, condicionadores, tinturas para cabelos, batons, blushes, regimes para emagrecer, aparelhos para tornar o corpo mais atraente. Que conclusão tirar disso?
Que em pleno século vinte e um, tudo o que é dirigido à mulher, é no sentido  de que ela atraia os homens? Será que a Natureza precisa de tanta ajuda?
Que em pleno século vinte e um, a mulher sozinha ainda seja vista como meia pessoa, se não tiver um homem ao seu lado?
O grave, nessa situação, é que a principal promotora de tais absurdos seja a própria mulher.